A blindagem midiática preventiva às críticas, montada em torno da administração Kassab, já não é suficiente para protegê-lo frente à incapacidade, inoperância e desmandos do seu governo. E, os problemas existentes na gestão demo-tucana começam a ser noticiados pelos órgãos de imprensa. Pesam graves irregularidades contra agentes públicos e políticos que compõem o seu governo: denúncias de corrupção envolvendo cargos de confiança e funcionários públicos da administração; fraudes em licitações para compra de remédios e merenda escolar; prática de corrupção por parte de fiscais em algumas subprefeituras e inadimplências contratuais com a complacência da administração são algumas irregularidades que ganharam manchetes em importantes jornais paulistanos. Por outro lado, a inoperância do governo se expressa na paralisação em diversas áreas; na incapacidade de licitar obras estratégicas tais como o Corredor Celso Garcia entre outras; na incapacidade de entregar em tempo o material e o Kit escolar; na falta de investimento no combate a enchentes e na falta de vagas em creches, tudo isso revela a incapacidade mínima de planejamento do governo municipal.
Projetos polêmicos – como a revisão do Plano Diretor Estratégico - abrem espaço para a ocupação urbana desordenada e para o mercado continuar ditando as regras do crescimento da cidade. E a proposta que estabelece a concessão dos serviços de água e esgoto por 30 anos, prorrogável por mais 30 à Sabesp, sem qualquer contrapartida – demonstra o imediatismo pragmático deste governo, em detrimento de uma visão estratégica de solução dos problemas estruturais de São Paulo.
Os escândalos e a inoperância do governo começam a refletir nas pesquisas de avaliação da administração municipal. Levantamento do Datafolha divulgado em março mostrou que Kassab perdeu em quatro meses 11 pontos percentuais na sua aprovação, que era de 56% em novembro de 2008 e recuou para 45%.
Enquanto o presidente Lula fomentou o desenvolvimento do Brasil e injetou recursos em diversas obras para beneficiar o conjunto da população com o crescimento econômico, Kassab tem feito uma gestão com o pé no freio. Nos três primeiros anos de administração ele praticou uma política de congelamento de investimentos, gastando pouco para melhorar a cidade.
Apenas em 2008 o prefeito acelerou os gastos da prefeitura e fez investimentos, mas com o claro propósito de faturar politicamente com obras eleitoreiras, tendo em vista a eleição municipal.
A crise financeira internacional tornou a diferença entre eles ainda maior. Lula tem agido corretamente para manter a economia em atividade, fazendo investimentos em obras do PAC (casos do Fura-Fila, parcialmente concluído com dinheiro da União, e as obras de habitação e urbanismo que estão sendo tocadas na periferia da cidade com a ajuda decisiva de Brasília) e gerando empregos. Já Kassab, na contramão do que faz o governo federal, anunciou em janeiro um congelamento de R$ 5,5 bilhões do orçamento municipal, cancelando obras que poderiam abrir vagas de trabalho e manter aquecida a atividade econômica no município. Ele proibiu, por exemplo, as subprefeituras de gastarem em melhorias nos bairros e não destinou um centavo dos cofres públicos para erguer três novos hospitais que havia prometido na campanha.
O governo demo-tucano demonstra fragilidade para executar projetos que são esperados há anos pela população, como a ampliação do sistema de transporte. Em 2007, após uma pesquisa apontar que o transporte público sobre rodas tinha a pior avaliação desde a gestão Celso Pitta, Kassab anunciou às pressas a construção de cinco novos corredores de ônibus, posteriormente reduzidos a dois projetos. Mas até hoje nenhum deles saiu do papel. Desde a gestão Marta, o serviço de transporte municipal não apresenta avanço.
Ressalte-se que a gestão do PT foi extremamente inovadora. A bagunça que reinava no serviço de transporte público foi resolvida com planejamento e execução de um projeto que culminou, além dos corredores, com a implantação do Bilhete Único. Foi a gestão Marta quem tirou a saúde do caos, municipalizando o serviço que havia sido privatizado pelas cooperativas do PAS. Enfim, foi o governo do PT quem elaborou, discutiu com a população e aprovou o Plano Diretor Estratégico em vigor, dando ordem ao crescimento de São Paulo tendo sempre como meta a busca por melhor qualidade de vida na cidade. Enquanto isso, a administração demo-tucano praticamente nada inovou. Com exceção da Lei Cidade Limpa e a implantação das AMAs, esta gestão apenas deu prosseguimento a projetos e ações do governo Marta, mas reduzindo sua amplitude e a qualidade, como é o caso dos CEUs, que são mais caros, menores e inferiores aos erguidos na gestão do PT.
A revisão do Plano Diretor Estratégico deixou claro com quem o governo Kassab está realmente comprometido. O projeto do Executivo desagradou profundamente associações de bairro e entidades ligadas à área de urbanismo, que acusam o democrata de colocar São Paulo à venda para beneficiar o mercado imobiliário e grandes investidores privados. Da mesma forma foi recebida a proposta de concessão urbanística (instrumento que permite à prefeitura repassar á iniciativa
privada a possibilidade de desapropriar regiões degradadas da cidade, recuperá-las e revendê-las com lucro), que trazia embutido um plano de intervenção na região da Cracolândia, rebatizado de Nova Luz. Com medo de serem desalojados por investidores, comerciantes da Rua Santa Ifigênia protestaram contra o projeto, obrigando a um recuo do governo.
Nestes primeiros 100 dias do segundo mandato, além de conviver com as denúncias que surgem contra seu governo, Kassab mantém seu estilo. Suas ações se resumem a factóides criados para encobrir os erros e a inoperância do governo – caso das AMAs, uma obra de marketing para encobrir as falhas na saúde. A cidade está paralisada porque o prefeito não é capaz de agir para dinamizar a economia de São Paulo – apesar do orçamento robusto da cidade, de R$ 27,5 bilhões –, impedindo que a metrópole dê um salto de qualidade em benefício dos seus moradores.
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Obras" de Kassab
Rememorando o noticiário dos primeiros três meses de 2009, percebe-se facilmente que o governo municipal não teve nenhuma iniciativa relevante para a cidade e o que mais se destacou foram as ações negativas envolvendo a gestão DEM/PSDB. Vejamos:
ESCÂNDALO DA MERENDA:
CORRUPÇÃO NA SAÚDE:
ENCHENTE/ALAGAMENTO:
FALTA DE VAGAS EM CRECHES:
UNIFORMES E LEVE-LEITE:
VERBA DO METRÔ:
ORÇAMENTO CONGELADO/CRESCIMENTO DA DÍVIDA:
afetados: a administração congelou 63% dos R$ 124 milhões previstos no orçamento.
Nestes primeiros 100 dias de governo DEM/PSDB os paulistanos não têm o que comemorar. São Paulo não está no rumo certo, como foi falsamente anunciado na propaganda eleitoral. A cidade vive um momento de indefinição por falta de um planejamento de longo prazo e a inexistência de projetos estruturantes que dêem conta das inúmeras demandas da população no campo do transporte, da educação, da saúde, da habitação e da cultura/esportes. O que se vê hoje é o governo municipal suscetível à influência de investidores privados, defensor dos grandes interesses econômicos, tirando São Paulo dos trilhos e colocando de novo a cidade no rumo da expansão desordenada e caótica, como era comum até o ano 2000.
Bancada de Vereadores do PT
Câmara Municipal de São Paulo
Ver. Alfredo Cavalcante
Ver. Antônio Donato
Ver. Arselino Tatto
Ver. Chico Macena
Ver. Francisco Chagas
Ver. Italo Cardoso
Ver. João Antônio
Ver. José Américo
Ver. José Ferreira - ZELÃO
Ver. Juliana Cardoso
Ver. Senival Moura
São Paulo, Abril de 2009
Alegando reflexos da crise financeira mundial, a prefeitura congelou R$ 5,5 bilhões do orçamento (R$ 27,5 bilhões no total), afetando investimentos em obras e na manutenção da cidade. Entre os órgãos afetados estão as subprefeituras, responsáveis por serviços básicos como pequenas obras, sinalização de vias e operação tapa-buraco. Outra área afetada é a de transporte. Dos R$ 218 milhões previstos para o metrô em 2009, metade está congelada. Recursos para corredores de ônibus também foram Em março de 2008, Kassab e o governador Serra promoveram um ato com nítido caráter eleitoral para anunciar que o município iria repassar R$ 1 bilhão ao Estado para contribuir com a expansão do metrô na cidade. Um segundo ato político foi realizado em outubro, entre o primeiro e segundo turnos da eleição. O fato é que o prefeito não cumpriu nem metade da promessa. Conforme o próprio metrô admitiu, a empresa recebeu R$ 275 milhões em dinheiro e mais R$ 198 milhões em Cepacs, totalizando R$ 473 milhões. As aulas na rede municipal tiveram início dia 11 de fevereiro, mas apenas em meados de março os alunos começaram a receber o uniforme e o material escolar. De novo, um atraso significativo, apesar das promessas da prefeitura. Quanto ao Leve-Leite, a prefeitura contratou os Correios para entregar o produto nas casas dos alunos, encarecendo o programa em R$ 29 milhões por ano. Com uma canetada o prefeito reduziu, de 110 mil em junho de 2008 para 57 mil em dezembro passado, a fila de crianças que procuram vagas em creches públicas. A mágica se deu através do recadastramento de crianças interessadas. O novo número gerou dúvida entre especialistas, pois a atualização se deu através de um questionário encaminhado aos pais via Correios. Não se sabe se todos os cadastrados receberam e responderam. Apesar de o prefeito ter prometido zerar o déficit, ele não informou quantas creches construiu e nem a quantidade de vagas abertas na rede própria e conveniadas. Entre janeiro e março o paulistano sofreu com a chuva. Por falta de manutenção adequada em ruas, bueiros piscinões e investimento em novas melhorias, a cidade conviveu com enchentes em vários pontos, que provocaram duas mortes. Na Zona Sul, uma mulher perdeu a vida em fevereiro por causa do transbordamento de um córrego, em conseqüência de uma obra mal feita pela prefeitura. No mês de março, um empresário passou mal e morreu ao ter o carro engolido pela enchente em uma avenida na Zona Leste. Enquanto o paulistano sofria com as enchentes e alagamentos em ruas e avenidas, Kassab gastou o dinheiro da prefeitura para fazer publicidade no rádio e na TV para dizer que havia investido em obras de combate às enchentes. Em outubro de 2008 foi revelada a fraude em licitações e pregões eletrônicos da Prefeitura de São Paulo destinados à aquisição de medicamentos e outros produtos de saúde. O esquema, conhecido como escândalo dos Parasitas, foi montado por fornecedores da prefeitura com a conivência de funcionários municipais, segundo admitiu o secretário da Saúde em audiência na Câmara Municipal. Um cartel envolvendo fornecedores de merenda para a rede municipal de educação, com o objetivo de direcionar licitações, foi denunciado em fevereiro. O esquema contava com a ajuda de funcionários municipais ocupantes de cargos estratégicos na administração, que eram recompensados com pagamento de propina ou oferta de cargos nas empresas beneficiadas. A base governista do prefeito na Câmara Municipal impediu a instalação de uma CPI para investigar o caso.