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Home | Violência e direitos humanos | Informativo
9/7/2009
A conjuntura partidária e a disputa política entre PT e oposição
Maria Victória Benevides
Companheiras, companheiros

Gostaria de estar presente neste encontro para reiterar, de viva voz que – “depois do tenebroso inverno” de decepções e dúvidas – minha permanência no PT e, sobretudo, minha militância com fé e esperança, devem muito, muito mesmo, à criação do grupo Mensagem ao Partido. Nela encontrei, e continuo encontrando, os motivos éticos e políticos para ficarmos juntos na luta que é, certamente, de muitos em nosso partido. No entanto, as diferenças sensíveis e legítimas entre os grupos, justificam a nossa escolha, assim como justificam a apresentação de uma candidatura própria à presidência do PT.

Além dos problemas advindos da crise da economia globalizada, a conjuntura brasileira é, para dizer o mínimo, preocupante. Estamos vivendo um período de crise no Judiciário e no Legislativo, ainda piorado pelo duro embate entre os partidos, já ensarilhados para a grande disputa eleitoral de 2010. O PT, querendo ou não, ficará no olho do furacão. Precisamos, mais do que nunca, de um presidente forte, isto é, com representatividade partidária reconhecida, com credibilidade indiscutível em termos de posições políticas e éticas, com garra e coragem para comandar o processo eleitoral e levar o partido ao bom porto – apesar das inevitáveis tormentas.

José Eduardo Cardozo tem todas as qualidades que são, hoje, mais do que virtudes pessoais, exigências para o cargo. Respeitado no Congresso Nacional, tem sabido manter as posições do partido com ética e habilidade política. Respeitado no meio acadêmico, tem colocado seu saber jurídico a serviço das causas democráticas. Respeitado no PT, vem desempenhando as tarefas de liderança de maneira exemplar. Basta lembrar seu empenho na coordenação da comissão que elaborou o Código de Ética, recentemente aprovado pelo Diretório Nacional, que estabelece normas para o funcionamento do PT no sentido da renovação da forma de fazer política e para garantir a implantação de uma verdadeira democracia interna no partido.

A Mensagem ao Partido vem cumprindo um papel importante na oxigenação do PT, tanto em relação às questões éticas, como no processo criativo de formação política, que sempre consideramos tarefa essencial de um verdadeiro partido. Para isso empenha-se, com todas as suas forças para tornar realidade a construção da Escola Nacional de Formação do PT, que será o instrumento mais valioso para a transformação do conjunto dos filiados em verdadeiros militantes.

Portanto, a Mensagem não pode se eximir de sua responsabilidade política. Deve apresentar uma chapa e uma candidatura própria, sob pena de deixar de cumprir esse papel de oxigenação e, não menos importante, sob pena de decepcionar seus militantes.

Permitam-me uma referência pessoal. Conheci o Zé, jovem e brilhante estudante de Direito, quando ele participava das discussões em torno do projeto de Constituição do PT apresentado à Constituinte de 1986-1987. De lá para cá venho acompanhando sua trajetória, na vida pública – com destaque para a atuação na prefeitura, com Luiza Erundina – no Parlamento, na universidade, nos movimentos sociais. Nas últimas turbulências que envolveram gravemente o partido, o Zé manteve uma postura admirável, revelando a firmeza de princípios e a disposição para a luta. Em uma das inúmeras reuniões, quando o céu parecia desabar sobre nossas cabeças, lhe perguntaram se continuaria no partido. Respondeu de forma serena: “é uma luta difícil e nós podemos perder. Mas estarei no PT lutando até o fim”, foi aplaudido de pé pelas duzentas pessoas que lá estavam, na Casa da Cidade.

Por tudo que foi falado, o Obama que me perdoe o plágio, mas O ZÉ É O CARA!

Maria Victoria de Mesquita Benevides, 03/07/09


Maria Victória Benevides


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