Carlos Neder

 
 

Comissão Especial de Direitos Humanos critica ação na Cracolândia

           

A intervenção do governo na Cracolândia, bairro da Luz, foi desorganizada e a ação da Polícia Militar foi desproporcional e violenta. Essas foram as conclusões feitas, por consenso, pelos membros da Comissão Especial dos Direitos Humanos – uma parceria entre a Câmara Municipal e a Assembleia Legislativa –, no último dia 11.

Para o vice-presidente da comissão na Câmara, o vereador petista Ítalo Cardoso, o que está acontecendo na região é “um crime”. Ele propôs a criação de um documento público denunciando a ação da polícia no local. O Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua que dá apoio aos dependentes, concordou. Segundo ele, o local não está seguro, “está sitiado”.

Anderson, representante do Movimento População de Rua, afirmou que esta é apenas mais uma “política de enxugar gelo”. Segundo ele, nem o governo estadual  ou municipal chamaram os movimentos sociais para debaterem o assunto. “O estado se omitiu, agora vem com a polícia”, afirmou.

Ele lembrou ainda que não é coincidência que o número de moradores de rua e frequentadores da Cracolândia tenham aumentado. “Sabe de onde vem tantos moradores de rua?”, indagou. E ele mesmo respondeu: “Das desapropriações, que só aumentaram no governo Serra/Kassab”.

Em concordância com os discursos anteriores o desembargador Antonio Carlos Malheiros chamou a ação de “política higienista” e afirmou ser um grande “equívoco”.  Segundo ele, a operação que deveria combater traficantes de drogas transformou-se em uma “caçada aos usuários”. “Um verdadeiro desastre”, completou.

Luís Fernando Vidal, da Associação Juízes Pela Democracia, afirmou que é responsabilidade dos representantes o que fazem os seus subordinados. No caso da ação, os representantes são o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab. Ele afirmou que cabe aos respectivos parlamentos cobrarem a responsabilidade política pela ação.

Para auxiliar os usuários e moradores da região a saberem os seus direitos, a Defensoria Pública de São Paulo montou uma base de apoio no bairro e está distribuindo panfletos com os direitos do cidadão. Carlos Weis, coordenador do núcleo, afirmou que a Defensoria não pode compactudar com “situações em que a segurança pública se distancia dos direitos humanos”.

Crédito foto: Ricardo Moreno / CMSP



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